
Olhava à rua sem ao menos saber o que via. Apenas ficava ali parado, como se a mente não resguardasse pensamento algum, nem mesmo uma fagulha de outrora. Expressava na face a emoção jamais obtida, admirava, observava, olhava vazio para o nada. Não era de se esperar menos após a insanidade tomar conta, mas não acreditava que do coração esvairia-se o menor que fosse dos sentimentos.
Ah, o sentimento, há algum tempo já não sabia do que se tratava, somente os pensamentos mais aterrorizantes eram contemplados dias atrás. Agora nem isso.
E olhando para a rua, à noite, sob a luz da lua cheia, solitária, imponente, dona da escuridão que pairava sobre a terra, via nada, apenas a rua. Foi então que a luz brilhou no olhar e refletiu tudo, como um espelho da alma... refletiu nada.
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